Tava tudo certinho demais, calmo demais. Os planos finalmente sendo concretizados. Não era bom, não podia ser bom. Eu sabia que a bomba relógio havia sido acionada, e que faltava pouco tempo.
E nessa noite, totalmente alcoolizada, eu sonhei que mergulhei bem fundo no mar, dentro de um ônibus, e era bom, era o certo a se fazer. Depois escalei com facilidade um prédio alto pra caralho, e cheguei na cobertura do prédio mais alto de Londres. Estava cercada por amigos, e tinha cores. Todas as cores no céu, pulsando envolta de mim. E havia pássaros. Era lindo. Eu tremia de felicidade e deslumbramento. Olhei pra baixo e senti vertigem, achei que cairia. Era lindo demais. Era insuportável.
E um sonho lindo desses não pode mesmo ser coisa boa.
A bomba relógio. Acho que explodiu.
E eu nunca tinha conseguido fazer isso que eu estava fazendo agora. Deixar o barco correr, a vida fluir, sem medo, sem surtar e dar vinte passos pra trás. Pela primeira vez eu consegui fazer planos e me agarrar a eles, e deixar que acontecessem.
E isso… Isso também não podia ser bom.
Castigo.
Conversamos. Eu disse que entendia, e entendi mesmo.
Mas doeu de qualquer forma.
Crise dos sete anos. Então essa porra realmente existe?


