“Desculpa filha, mas abismo é viver. Não estamos à beira dele, estamos nele. E todo mundo age como se fosse um herói por contornar crises, por meio do debate, ou não. Todo mundo vai fazer análise, justamente para não olhar para a pessoa ao lado e dizer: eu tenho vontade de vomitar quando escuto os teus passos. E isso não se diz numa conversa. Você não pode virar para a mãe dos seus filhos e falar: ‘olha, eu não te odeio, te desejo tudo de melhor, mas eu não te amo mais’. Sem que isso venha cheio de acusações. Quando, no fundo, no fundo, amor não dura. E nem venham me falar que o que não dura é paixão. A idéia do amor está lá, faz parte da nossa cultura, essa tal transformação do amor. Podemos dizer: eu não te amo como te amei, mas esse amor se transformou, e eu amo ver televisão com você, eu amo saber que, se eu tiver um treco e ficar todo cagado, você me limpará. Isso é que é indiscutível. O amor não se transforma, ele se esgota, e a gente vai levando, por vários motivos. E, saibam, muitos desses motivos não são nada nobres”.

Trecho do livro “Tudo que você não soube”, da Fernanda Young (página 112)

Primeiro livro da Fernanda Young que eu leio, e com certeza o último. Não gostei. Ainda bem que era curto. Os trechos que se salvam podem ser contados nos dedos (de uma mão).



One Response to “Sobre o fim do amor”  

  1. Alô você. Concordo que vale a pena ir ao show do Opeth, mas a falta de tesão atual contrasta com a vontade que sinto há anos.
    Estranho.


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