Esse ano sim, eu posso chamar de intenso. Foi um ano forte pra caralho pra mim.

Em 2009 eu achei um poço, tirei a tampa e desci até o fundo; até o fundo do poço… Pra depois descobrir que eu conseguiria sair de lá sozinha, e eu saí. Bebi demais, chorei demais, sorri demais, cresci demais. Aprendi sobre as pessoas, e como elas podem ser escrotas e maravilhosas ao mesmo tempo.

Tranquei a faculdade, terminei o namoro, reatei o namoro, consegui um emprego melhor, fui barrada no show do AC/DC por causa de um ingresso falso, ganhei um irmão, ganhei mais amigos, e perdi alguns.

Foi um bom ano, cheio de lições e de tapas na cara.


Intenso

17dez09

Esses dias eu ouvi da pessoa que mais me conhece no mundo que eu sou uma pessoa extremista. Ele me perguntou: “por que, pra tirar o gosto de cigarro da boca, você precisa mascar o chiclete mais forte?”
Sim, ele tinha razão. Meios-termos nunca me agradaram, sempre me foram insuportáveis, inconcebíveis. O morno, a mediocridade…
Desprezo isso.
E ser assim nunca me incomodou, não sei se a ele incomoda. Ser assim já me fez querer morrer, tantas e incontáveis vezes; mas incomodar não… Nunca incomodou. Nunca pensei “putaqueopariu, preciso sentir menos, que essa merda tá acabando comigo!”

Eu gosto assim: intenso.
Se é pra estar triste, eu sou uma drama queen chorando na cama e esmurrando o travesseiro, bêbada. Se é pra ficar feliz, eu quero dar risada até chorar, quero gritar e quero explodir. Explodir eu quero sempre, de felicidade ou de tristeza, que seja. Tristeza e felicidade contidas são ridículas e sem fundamento.
Fumo muito, bebo muito, uso óculos grandes, masco o chiclete mais forte e gosto das frutas mais cítricas, porque são gostosas, e porque são doloridas.


Hoje só o que eu queria era ter nascido homem. TPM é uma coisa séria, meus senhores; por mais que se faça piada sobre isso.
Estou eu aqui, num domingo ensolarado, parecendo uma torneira quebrada. Não paro de chorar por um minuto e minha cabeça já dói por causa disso.
Motivo? Na TPM tudo é motivo. Até as coisas que normalmente são boas, você consegue transformar em monstros…
Juro que o que eu queria agora era tomar um remédio que me fizesse dormir durante todo esse domingo maldito.


The Path

22out09

E então,  pela primeira vez na vida você se dá conta de que está no caminho certo. É maravilhoso.

:)


17out09

“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas,das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:  – E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”

(Clarice Lispector)


“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”

(Florbela Espanca)


Bitucas

10set09

Depois de um mês que entrou em vigor a Lei Antifumo aqui em São Paulo, a diferença mais gritante está na quantidade de bitucas espalhadas pelas ruas.

Com a nova lei, todo mundo foi obrigado a tirar os cinzeiros das vistas do mundo (cinzeiros que, aliás, eram muito úteis também como cestos de lixo), e os fumantes foram obrigados a dar um ou dois passinhos e sair debaixo dos toldos, mas continuam ali, fumando a mesma quantidade de cigarros por dia (exceto nos dias de chuva). Na falta de cinzeiro e cestos de lixo por perto, as bitucas vão pro chão, todas elas.

Ou o Kassab autoriza a existência dos simpáticos cinzeiros prateados, ou contrata um exército de garis, ou promove uma campanha incentivando as pessoas a comprar cinzeiros portáteis (eu tenho um de zebrinha – há), ou incentiva artistas na produção de obras de arte gigantescas usando bitucas, ou sei lá… Vamos nadar em bitucas.


Cama, edredon, travasseiros, almofadas, gato, preguiça, ventilador, coca-cola, cigarros, rum, saquê, morangos, brigadeiros, saladas, passeio no parque, cinema, músicas, filmes, beijos… E você.

… Ou só você.   :)


A Sábia

06set09

Algumas vezes eu me atiro num poço bem fundo, vou caindo em câmera lenta enquanto tudo fica preto e branco; e até gosto da sensação. Então me aconchego no silêncio, como alguém que se aninha no colo da mãe ao voltar para o lar. No escuro me sinto protegida, um mundo só meu; o outro já tão distante… É difícil ter coragem e vontade de voltar à tona. O aconchego de não estar não tem preço.

Às vezes alguma coisa me mostra que talvez ainda exista algum brilho lá em cima, que talvez eu ainda possa ser alguém lá.  E me impulsiona a subir:

“Peça o dinheiro, peça o emprego desejado, saia da vibração de vítima. Você busca e acha. Você decide, você cria, você consegue materializar tudo que necessita para realizar seu destino. Nâo interessa que milhões de pessoas dizem que está difícil, que há crise, etc… Você escreve a sua historia.”
Palavras de Sofia, literalmente, A Sábia.


E aí você se entrega ao trabalho, sem nem se dar conta. É como vender a alma ao capeta, um capeta que leva tudo embora: sua saúde (física e mental), sua paixão pela vida, seus amigos, sua essência… E no fim não te dá nada em troca. Apenas vira as costas e vai embora, cantarolando alguma canção alegre, só pra ser sarcástico (“se fodeu, trouxa”).

Às vezes eu sinto como se estivesse sumindo, desaparecendo no ar, aos poucos. Já é difícil me lembrar de quem sou de verdade. Eu não sei, simplesmente não sei.

E quando até eu mesma me esquecer de quem sou e passar a não mais me conhecer… Quem é que vai?

“(…) Comecei a me perder…
Ia desprendendo-me de meu corpo
Escorrendo, evaporando, fugindo!
E eu então, com os olhos fundos e vazios
Enegrecidos pelo reflexo da escuridão
que havia envolta,
Gritava, jogada ao chão como um trapo!
Não me queria perder
Depois de tanto me buscar…
E chorava, chamando
Implorando às minhas gotas escorridas
E à minha fumaça evaporada
Que voltassem para dentro de mim(…)”

.happybirthdaytome.


Inferno astral

20jul09

Inferno astral. Dizem que é um ciclo que está chegando ao fim. Deve ser por isso que o mundo agora pesa sobre meus ombros. E que ciclo seria esse? Tenho medo de descobrir…

Meus fantasmas estão todos comigo, me atormentando. Mas são tão meus esses fantasmas, que isso me traz certo alívio.

Se só consigo me reconhecer na dor, o que posso fazer? Ao menos sei em que terrenos estou pisando. Eu e essa minha dor que só eu conheço e que me serve de escudo.

Quero deitar e ter sonhos felizes. Chega de fantasmas por hoje.




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