The Path
E então, pela primeira vez na vida você se dá conta de que está no caminho certo. É maravilhoso.
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“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas,das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: – E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”
(Clarice Lispector)
“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”
(Florbela Espanca)
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Bitucas
Depois de um mês que entrou em vigor a Lei Antifumo aqui em São Paulo, a diferença mais gritante está na quantidade de bitucas espalhadas pelas ruas.
Com a nova lei, todo mundo foi obrigado a tirar os cinzeiros das vistas do mundo (cinzeiros que, aliás, eram muito úteis também como cestos de lixo), e os fumantes foram obrigados a dar um ou dois passinhos e sair debaixo dos toldos, mas continuam ali, fumando a mesma quantidade de cigarros por dia (exceto nos dias de chuva). Na falta de cinzeiro e cestos de lixo por perto, as bitucas vão pro chão, todas elas.
Ou o Kassab autoriza a existência dos simpáticos cinzeiros prateados, ou contrata um exército de garis, ou promove uma campanha incentivando as pessoas a comprar cinzeiros portáteis (eu tenho um de zebrinha – há), ou incentiva artistas na produção de obras de arte gigantescas usando bitucas, ou sei lá… Vamos nadar em bitucas.
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Meu mundo perfeito
Cama, edredon, travasseiros, almofadas, gato, preguiça, ventilador, coca-cola, cigarros, rum, saquê, morangos, brigadeiros, saladas, passeio no parque, cinema, músicas, filmes, beijos… E você.
… Ou só você.
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A Sábia
Algumas vezes eu me atiro num poço bem fundo, vou caindo em câmera lenta enquanto tudo fica preto e branco; e até gosto da sensação. Então me aconchego no silêncio, como alguém que se aninha no colo da mãe ao voltar para o lar. No escuro me sinto protegida, um mundo só meu; o outro já tão distante… É difícil ter coragem e vontade de voltar à tona. O aconchego de não estar não tem preço.
Às vezes alguma coisa me mostra que talvez ainda exista algum brilho lá em cima, que talvez eu ainda possa ser alguém lá. E me impulsiona a subir:
“Peça o dinheiro, peça o emprego desejado, saia da vibração de vítima. Você busca e acha. Você decide, você cria, você consegue materializar tudo que necessita para realizar seu destino. Nâo interessa que milhões de pessoas dizem que está difícil, que há crise, etc… Você escreve a sua historia.”
Palavras de Sofia, literalmente, A Sábia.
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Sound of silence
E aí você se entrega ao trabalho, sem nem se dar conta. É como vender a alma ao capeta, um capeta que leva tudo embora: sua saúde (física e mental), sua paixão pela vida, seus amigos, sua essência… E no fim não te dá nada em troca. Apenas vira as costas e vai embora, cantarolando alguma canção alegre, só pra ser sarcástico (“se fodeu, trouxa”).
Às vezes eu sinto como se estivesse sumindo, desaparecendo no ar, aos poucos. Já é difícil me lembrar de quem sou de verdade. Eu não sei, simplesmente não sei.
E quando até eu mesma me esquecer de quem sou e passar a não mais me conhecer… Quem é que vai?
“(…) Comecei a me perder…
Ia desprendendo-me de meu corpo
Escorrendo, evaporando, fugindo!
E eu então, com os olhos fundos e vazios
Enegrecidos pelo reflexo da escuridão
que havia envolta,
Gritava, jogada ao chão como um trapo!
Não me queria perder
Depois de tanto me buscar…
E chorava, chamando
Implorando às minhas gotas escorridas
E à minha fumaça evaporada
Que voltassem para dentro de mim(…)”
.happybirthdaytome.
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Inferno astral
Inferno astral. Dizem que é um ciclo que está chegando ao fim. Deve ser por isso que o mundo agora pesa sobre meus ombros. E que ciclo seria esse? Tenho medo de descobrir…
Meus fantasmas estão todos comigo, me atormentando. Mas são tão meus esses fantasmas, que isso me traz certo alívio.
Se só consigo me reconhecer na dor, o que posso fazer? Ao menos sei em que terrenos estou pisando. Eu e essa minha dor que só eu conheço e que me serve de escudo.
Quero deitar e ter sonhos felizes. Chega de fantasmas por hoje.
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Fogo
Talvez os fumantes gostem mesmo seja disso: a faísca, a explosão inicial do isqueiro, o ato de sugar para si o fogo, de ver o cigarro roubar a chama, se acender, e ser completamente consumido, lentamente. De sugar o fogo, a brasa, e encher os pulmões com isso: fogo. Talvez isso possa trazer um pouco de alívio às “almas desequilibradas” dos fumantes.
As formas que a fumaça desenha no ar são um show à parte.
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home
O que eu mais queria agora era chegar em casa e “casa” ser um apartamento só de nós dois, com nossos livros juntos nas prateleiras da sala, nossa louça suja na pia, e nossas escovas de dente no banheiro. Você estaria dormindo e eu iria direto me aninhar em você e dar beijinhos no seu pescoço até te irritar.
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Insignificant, am I?
Eu tô com 23 anos, pra fazer 24 já… E o que foi que eu fiz até hoje? Merda nenhuma. Só existi, e sobrevivi (às vezes sem um pingo de vontade). Só ganhei e gastei dinheiro (gastar mais do que ganhar). Só ocupei bancos em ônibus e trens do metrô (porque nem um carro eu consegui comprar até hoje; já devia ter dado tempo). Ajudei a aumentar filas, a diminuir a comida, a sujar o chão e as privadas por aí… Mas NUNCA, nunca fiz nada de que eu tenha realmente me orgulhado, nada do que eu admiro que as outras pessoas façam… Nada, simplesmente.
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