Não é que eu sou equilibrada; eu nunca fui.
É que tenho me trancado.
Não sei se consigo explicar, mas é meio que uma consciência de que no fundo eu tô sozinha nesse mundão, e meus problemas só fazem sentido pra mim; logo eu é que tenho que resolve-los, e dramas são inúteis.
Não, isso não é bom e nem me faz bem. Conversar sobre meus problemas seria ótimo. Fazer minhas lamentações dramáticas, chorar no ombro e ouvir conselhos de pessoas que realmente gostam de mim… Tudo isso provavelmente só me faria bem. Mas e aí, onde é que eu enfio essa minha necessidade escrota de parecer forte o tempo todo?
Aí que eu acabei estabelecendo um sistema de auto-análise. Como se fosse eu no divã, e eu de novo na poltrona do psicólogo. Se funciona? Provavelmente não muito, já que eu não sou psicóloga… Mas eu me conheço, e só eu me conheço tanto. Partindo daí, vai ver não é tão ruim.
Só que eu tenho mágoa guardada até dizer chega, e feridas que eu vivo cutucando de novo só pra ver se ainda sangram. E sangram. Aí eu faço os curativos de novo e paro de olhar pra elas, de novo.




