Eu não sei acordar cedo.
Pode me julgar, sociedade.
Existem indivíduos que dormem e acordam cedo naturalmente, sem sofrer com isso. Eu nunca fui um deles.
Existem também indivíduos que passariam o dia dormindo pra viver à noite. Eu definitivamente sou um deles.
Mas aí tem o mundo real, esse grande filho da puta, que quer que você acorde às 7h da manhã e vá dormir antes da meia noite. Como proceder?
Eu tento, eu JURO que eu tento.
Toda noite antes de dormir eu programo celular + rádio-relógio + aparelho de som pra que eles comecem, um a um, uma sinfonia caótica que me faça acordar às 6:40 da manhã. Aí eu acordo, olho pro relógio e (pasmem!) já são 8:40. Onde essas duas horas foram parar, eu nunca sei.
Eu simplesmente não existo de manhã. Sou só um zumbi de óculos escuros dentro de um ônibus, um zumbi comendo um pão de queijo no bar da esquina, um zumbi sentado à frente de um computador. Mas não existo, não sei conversar, sequer OLHAR direito pra cara de alguém de manhã. Fatos.
Eu chegando às 9h >> vou sem café da manhã, em pé num ônibus lotado, puta mal humor. Passo no bar pra comprar um pão de queijo, ligo meu computador, boto o fone de ouvido e torço pra ninguém falar comigo até o meio dia. Depois do almoço eu melhoro, já consigo viver, etc. Vou embora por volta das 18h, em pé num ônibus lotado, puta mal humor.
Eu chegando às 11h >> vou sem café da manhã, sentada confortavelmente e lendo um bom livro no ônibus. Não passo na padaria porque já tô atrasada e porque só falta uma hora pra almoçar. Durante essa hora eu consigo resolver eventuais pendências do dia anterior, fazer as coisas mais urgentes, organizar o resto do meu dia e, quiçá, ainda fumar um cigarrinho tomando café. Aí eu almoço, trabalho até às 20h e pouco e vou embora, sentada confortavelmente e lendo um bom livro no ônibus.
Conclusão: a única vantagem de chegar cedo é o pão de queijo.